Eu não consigo -

minha incapacidade foi a única

que me dominou por completo

ela chega e não dá trégua

nem oferece escolhas

a não ser andar com um espelho

virado para mim -

ela anda de costas

enquanto tento ir para frente

ele me diz com imagens insólitas -

o quão incapaz de me livrar dela eu sou

O desespero silencioso

que vem das ruas vazias

transborda no copo de bebida

que eu não consigo beber

Há tanto ar -

ainda assim

a respiração falta

e as lágrimas comparecem

pontualmente no dia de Natal

Ele força minhas pálpebras para baixo

até quanto tento olhar o espelho que anda de ré

que me mostra como é difícil andar

sobretudo se for para frente

25 de dezembro de 2017

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Vernacular / Escritora / Papelaria autoral / Atelier do Centro www.vernaculareditora.com www.instagram.com/ccsvernacular www.conglomeradoatelierdocentro.com

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